Morre dono da antiga fábrica de carros Gurgel


João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, dono da extinta fábrica de carros Gurgel, foi sepultado hoje à tarde no Cemitério do Morumby, no Morumbi, na zona oeste de São Paulo.

Gurgel tinha 83 anos e sofria de mal de Alzheimer. Internado no hospital São Luiz, em São Paulo, ele não resistiu à doença e morreu na sexta-feira (dia 30). Gurgel formou-se na Escola Politécnica de São Paulo em 1949 e no General Motors Institute, nos Estados Unidos, em 1953.

Com a proposta de produzir veículos genuinamente brasileiros, ele fundou a fábrica que levava o seu nome em 1º de setembro de 1969 em Rio Claro, no interior de  São Paulo.

Gurgel começou produzindo karts e minicarros para crianças. Em 1969 fundou a Gurgel Veículos, seu primeiro modelo foi um bugue com linhas muito modernas e interessantes. Chamava-se Ipanema e utilizava chassi, motor e suspensão Volkswagen. Gurgel sempre batizou seus carros com nomes bem brasileiros e homenageava nossas tribosde índios.
Em 1973 chegava o Xavante, que deu início ao relativo sucesso da marca. Este foi seu principal produto durante toda a evolução e existência da fábrica. De início com a sigla X10, era um jipe que gostava de estradas ruins e não se importava com a meteorologia. Sobre o capô dianteiro era notável a presença do estepe. Sua distância do solo era grande, o pára-brisa rebatia para melhor sentir-se o vento e a capota era de lona.  Um par de pás afixadas nas portas logo anunciava o propósito do veículo.
O jipe era equipado com a tradicional mecânica Volkswagen refrigerada a ar, com motor e tração traseiros.  O chassi era uma união de plástico e aço (projeto patenteado pela Gurgel, denominado Plasteel), que aliava alta resistência a torção e difícil deformação. A carroceria era em plástico reforçado com fibra-de-vidro (FRP).

Pelo emprego destes materiais a corrosão estava completamente banida. A carroceria e o chassi formavam um só bloco. As rodas, as mesmas da Kombi, eram equipadas com pneus de uso misto. A suspensão era independente nas quatro rodas, em um conjunto muito robusto , mas na traseira a mola era helicoidal, em vez da tradicional barra de torção. Para subir ou descer morros não havia grande dificuldade. A carroceria tinha ângulo de entrada de 63 graus e 41 graus de saída.

Além do Plasteel, outro recurso interessante do Xavante era o Selectraction. Tratava-se de um sistema movido por alavancas, ao lado do freio de estacionamento, para frear uma das rodas traseiras. Era muito útil em atoleiros.

Cheia de dívidas e enfraquecida pela concorrência das multinacionais, a Gurgel pediu concordata em junho de 1993. Uma última tentativa de salvar a montadora foi no ano seguinte, quando a Gurgel pediu ao governo federal um financiamento de US$ 20 milhões, que foi negado. A fábrica fechou as suas portas no final de 1994, depois de 25 anos de atividades.

Daniela do Canto

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