Arquivo do dia: novembro 13, 2008

Governo anistia o ex-presidente Jango

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu ontem a anistia ao ex-presidente João Goulart, cassado pelo golpe militar em 31 de março de 1964 e exilado do país até sua morte, em 1976. Também recebeu a anistia a viúva Maria Teresa, que ingressou com os dois pedidos na comissão, em 2004.

Além do pedido de desculpas da União, reconhecendo que houve perseguição política, a comissão decidiu por uma indenização equivalente a um salário de advogado sênior a Jango (ele era bacharel em direito), no valor de R$ 5.425 mensais, retroativo a setembro de 1999, o que soma R$ 644 mil (pagos em parcelas durante dez anos), e mais R$ 100 mil pelos 15 anos que Maria Teresa viveu no exílio, pagos em uma parcela.
O julgamento ocorreu no encerramento da 20ª Conferência Nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Natal. O ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou que acolherá a decisão. “Esta anistia é um reconhecimento do grande brasileiro que ele [Jango] foi.”
Para Christopher Goulart, advogado e neto do ex-presidente, trata-se de “um pedido de desculpa não só a João Goulart, mas por toda a agressão que a democracia sofreu em 1964.” (KAMILA FERNANDES)

É a primeira vez que um ex-ocupante do Palácio do Planalto é anistiado por perseguição política. O presidente Lula recebeu anistia do Ministério do Trabalho em 1994, antes, portanto, de ser eleito -o então líder sindical ficou um mês preso em 1980.

O pedido, protocolado na Comissão de Anistia, ligado ao Ministério da Justiça, foi feito pela família de Jango. Há dois processos, que foram apensados: um em nome do ex-presidente, de 2004, e outro no de sua mulher, Maria Thereza, anexado ao primeiro neste ano.
Os pedidos requerem o reconhecimento simbólico da anistia e pedem ainda reparação econômica -o valor será definido no julgamento.

Eleito vice-presidente de Jânio Quadros em 1961, Jango assumiu o país sete meses depois, com a renúncia do presidente. Enfrentou resistências de alas conservadoras até ser deposto, em 1964, quando partiu para um exílio que nunca deixou: ele morreu na Argentina, por problemas cardíacos, em dezembro de 1976, aos 58 anos.

“Esse talvez seja o processo mais simbólico, pois trata de um presidente deposto num ato que instaurou a perseguição e a ditadura”, disse Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia.
“Será um julgamento histórico e importante para resgatar a memória do Jango”, afirmou João Vicente Goulart, um dos filhos do ex-presidente.

FSP/LUCAS FERRAZ

Maradona pode sair antes de estrear na seleção

Maradona pode deixar a seleção argentina antes mesmo de estrear. A federação do país não deixou o ex-meia levar para a comissão técnica Oscar Ruggeri, companheiro da seleção de 1986. Maradona deve estrear como técnico da seleção no dia 19, em Glasgow, contra a Escócia.

O maior ídolo do Boca Juniors também não convocou o meia Riquelme, com quem contava, para que o jogador atue na reta final do Torneio Apertura na Argentina pelo ex-time.

O Boca trava disputa acirrada com o San Lorenzo pelo título. A liberação de Riquelme foi negociada pela federação argentina.

“Estamos numa fase em que, para nós, é muito importante a presença de Riquelme”, falou José Beraldi, dirigente do Boca Juniors.

Transplante de medula faz virus da AIDS desaparecer

O vírus da Aids se tornou indetectável em um paciente soropositivo com leucemia depois de um transplante de medula óssea, um caso interessante, mas isolado, que não deve suscitar falsas esperanças, explicou nesta quarta-feira um hospital de Berlim.

Um americano, de 42 anos, teve que se submeter a um transplante de medula óssea para tratar leucemia detectada há três anos. Ele é soropositivo há dez anos.

Entre os doadores potenciais, se encontrava uma pessoa portadora de uma mutação genética já conhecida pelos cientistas, mas ainda inexplicada. Esta particularidade, uma mutação do receptor CCR5 do vírus, está presente em 1% a 3% da população européia e parece dar aos indivíduos portadores uma imunidade ao HIV.

A equipe do hematologista berlinense Eckhard Thiel escolheu este doador específico com a esperança de que depois do transplante da medula óssea, o vírus do HIV também desapareceria. O paciente, há anos sob tratamento anti-retroviral e que nunca desenvolveu a Aids, interrompeu seu tratamento no momento do transplante, para evitar que os medicamentos provocassem uma rejeição.

AGP

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