Porto Alegre: “Não ao Pontal do Estaleiro”


Um beleza ameaçada. A indignação dos centenas de entidades manifestantes de Porto alegre vem cresce à medida que a votação para a alterar a lei e autorizar a construção de seis prédios na orla do Guaíba vai sendo adiada. A votação esteve marcada para o dia 10 de setembro, mas foi transferida para depois das eleições.

“Os vereadores que concorriam à reeleição não queriam se queimar, por isso adiaram a decisão, mas  temos uma lista dos 17 que querem aprovar a construção desta barreira na orla do Guaiba”, diz o representante da Associação dos Moradores do Bairro Chácara das Pedras (Amachap), professor Filipe de Oliveira. Segundo Oliveira há incoerência na intenção dos parlamentares que querem aprovar o projeto, “pois pouco  tempo atrás, a Vila Cai Cai foi retirada do local devido a veemente proibição de morar lá, por diversos motivos, que estão sendo ignorados agora, para aceitar o projeto dos ricos”.

A causa do manifesto se fundamenta em diversas problemas que o empreendimento implica, incluindo os problemas ambientais, urbanísticos, éticos e legais. A bióloga Gabriela Cattani, defendeu a causa, afirmando que “a orla do Guaíba é uma área de preservação permanente e, segundo as Leis Federais que defendem estes perímetros, nada pode ser contruído nestes locais”.

O advogado Christiano Ribeiro, representante do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam) afirmou que o protesto desta quarta-feira será silencioso, entretanto, as entidades aguardam a possibilidade de poder ter a palavra no plenário e manifestarem sua opinião. Disse ainda que o empreendedor adquiriu o terreno em um leilão, quando não era permitida a construção de prédios residenciais, consequentemente, por um valor mais baixo, e hoje, pretende burlar a lei já existente e lucrar com estes prédios.

Integram a campanha “Não ao projeto Pontal do Estaleiro” as seguintes entidades: Agapan, Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência (Amabi), Movimento Viva Gasômetro, Associação Moinhos Vive, Associação dos Moradores do Bairro Ipanema (Ambi), Associação dos Moradores da Auxiliadora (Ama), Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Vila Assunção, Vila Conceião e Pedra Redonda (CCD), Defesa Civil do Patrimônio Histórico (Defender), Associação dos Moradores da Cidade Baixa, Associação Comunitária Jardim Isabel Ipanema (Ascomjip), Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS (Ceucab/RS), Associação dos Moradores do Sétimo Céu (AMSC), Movimento Petrópolis Vive, União pela Vida (UPV), ONG Solidariedade, Movimento Higienópolis Vive, Associação dos Moradores do Bairro Chácara das Pedras (Amachap),  Instituto Biofilia, Associação dos Moradores da Bela Vista (AMOBELA), Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (INGÁ) e  o Conselho Gestor dos Moradores da Vila Assunção (CVMA).

As entidades estão se organizando para criar um calendário de vigília na Câmara Municipal, para toda quarta-feira, estarem presentes manifestando o repúdio a aprovação da alteração desta lei.

O projeto prevê a construção de um complexo arquitetônico (6 prédios) de 60 mil metros quadrados na área do antigo Estaleiro Só. Cada prédio terá volume igual ao nosso Hospital das Clínicas.

Por que ser contra ao projeto “Portal do Estaleiro”

1 – Questão Ambiental -Se aprovado, causará grande impacto ao ambiente natural da região: formarão uma barreira artificial impedindo a passagem dos ventos para a cidade e da luz do sol para a vizinhança, aumento da produção de esgoto cloacal que na região é ligado ao pluvial.

2 – Questão Urbanística – problemas de trânsito pela Av.Padre Cacique, que já terá aumento de fluxo de automóveis pela inauguração do Barra Shopping Sul.

3 – Vocação da Orla – Lazer e recreação é a vocação de qualquer orla no mundo. A construção do empreendimento inviabilizaria a implantação de um grande Parque, que é um anseio da população, independente de classe social. A Orla do Guaíba pertence a toda população da cidade.

4 – Questão Ética e Legal – O empreendedor, quando adquiriu o terreno em leilão, pagou um valor mais baixo por estar impedida por lei municipal a construção de prédios residenciais na área. Agora quer que se mude a lei para auferir maiores lucros. Caso a lei seja alterada, o município estará sendo irresponsável com as pessoas que irão residir ali!

Depois de 20 anos de luta, a Orla do Guaíba, o mais nobre, valioso e cobiçado patrimônio público de Porto Alegre, continua ameaçada pelos poderes Executivo e Legislativo municipais, a serviço dos interesses dos setores imobiliário e da construção civil.

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Comentários

  • Fernando Bortolini  On agosto 22, 2009 at am:24 am

    Que maravilha!!! A orla é nossa!!! sim, você usa aquela área? podemos usufruir daquele espaço????por favor porto alegrense, enquanto discutimos essas questões, várias cidades do mundo desenvolveram projetos que revitalizaram e revolucionaram áreas circundadas por mar ou rio que se encontravam degradadas. é incrível como esse “espírito politizado” do gaúcho pode se constituir em uma poderosa ferramenta de atraso!!!!!! acordem gauchada!!!! não sejamos ingênuos, se a iniciativa privada não agir ali, governo ou ONG nenhuma vai melhorar aquele espaço.

  • Cristiano  On agosto 12, 2009 at am:55 am

    Pessoal, é pura falta de conhecimento ser contra a este empreendimento, com argumentos como meio ambiente, é obvio que terá contra partida como tratamento de esgoto e tudo mais. Quanto a “privar” a orla, esta claro que a orla será pública e muiiiiito melhor do existente lá. Por favor, o nosso estado/cidade esta cada vez mais atrasado em TUDO, e estas pessoas contra TUDO poderia se transferir para a Amazonia e defendê-la, seria muito mais útil por lá do que aqui.

  • Ezeel Nunes  On junho 18, 2009 at pm:03 pm

    Sou contra a construção de um conjunto residencial que vá favorecer alguns poucos privilegiados. A orla do Guaíba é de todos, assim como a redenção e o parque marinha, entre outros. O Barra Shopping por sí só já é um cartão postal para a cidade, imagine se tivessemos também uma área à beira do Guaíba dedicada ao convívio social, e o que é melhor, aberta a todas as pessoas sem distinção. Um empreendimento particular provavelmente colocaria um muro de três metros de altura a beira da avenida e seguranças armados fariam a vigilancia em enormes torres de observação. Será que é isso que a população quer?

  • Norton  On abril 22, 2009 at am:05 am

    Desapropriar ??
    Sabe quanto custa desapropriar um terreno na frente do Barra Shopping e ao lado do museu Iberê Camargo. A prefeitura do PT não desapropriou na época do leilão, quando o custo disso era bem mais baixo. Agora querem que desapropriem ? Por que não desapropriaram antes ? Mudaram de opinião ?

  • Raul  On abril 16, 2009 at pm:48 pm

    O Pontal do estaleiro é do povo de Porto Alegre
    Será que o povo de nossa cidade carece de memoria? Há algun anos, lá pelos idos de 60, o mesmos interesses que hoje recaem nesta area se faziam presente num dos lugares mais nobres e cobiçados de Porto Alegre, o Prado ou a varzea do Moinhos , sim lá onde também se encontrava o estadio do Gremio. Para a época o projeto era tão atraente e rebuscado, quanto este do Pontal. Diga de passagem, nos desenhos e nas maquetes uma beleza ,tanto quanto este de agora. A grande maioria não imaginava o impacto que um loteamento iria causar ,numa area de vocação tão nobre. Talvez a maioria não tinha a visão de metropole moderna com espaços verdes que tanto as população reivindica. Pelo padrões da ONU a cidade ainda hoje é carente em areas verdes. (ve-se a ultima reportagem feita pela rede Globo na cidade de Seul. La a prefeitura quer até mesmo colocar as auto estradas que margeian o rio abaixo do nivel ,para facilitar o acesso das pessoas .) Pois bem, ninguem poderia imaginar o destino daquele espaço vazio sujo e sem urbanização. E a transformação para o que é hoje deve-se graças a um homem , desprovido de interesse propio e de visão larga, voltado exclusivamente para o bem de sua cidade , que tornou aquela area um parque . É isto mesmo,lá estão nos anais da camara de Vereadores de POA e nos jornais da epoca, para quem quiser pesquisar, a luta travada muitas vezes solitaria e contra interesses poderosos ,pelo então jornalista e Vereador Say Marques. Lutou contra muitos e convenceu outros tantos , mas conseguiu dar a cidade este pulmão verde que hoje é motivo de orgulho para o bairro e é lugar de encontro de pessoas de todos os lados de Porto Alegre.
    Todos ,aqueles a favor do loteamento , deveriam usar o exemplo acima e se convecerem que a vocação daquela area é igual . A area do Pontal é nossa , cidadão de Porto Alegre. Para aqueles que defendem um loteamento esta em tempo de mudar. O destino do Pontal do Estaleiro So é o mesmo daquele que foi a do Parque Moinhos de Vento, do povo. Desapropie-se se necessario for, o prefeito tem poderes para tanto , interesse comum vale mais que projetos bonitinhos. Outros lugares por certo estarão disponiveis . Daqui a quarenta anos estaremos agradecendo ,tanto quanto hoje os frequentadores do Parcão o fazem.

  • poa resiste  On março 28, 2009 at pm:56 pm

    Um absurdo ser contra este projeto?
    Discordamos!
    Para nós, absurdo é desconsiderar que a ORLA do Rio Guaíba é Área de Preservação Permanente (APP), protegida por lei federal (código Florestal).
    Absurdo também é transformarem o RIo em LAGO apenas pelo fato que a área a ser preservada nos rios é de 500m e nos LAGOS de cerca de 50m.
    Absurdo é saber que a área era pública e fou cedida para o Estaleiro Só construir suas instalações e que com a quebra do Estaleiro não retornou para o município, pois um político do tempo da ditadura assim o decidiu em nome “da segurança nacional”.
    O Estaleiro quebrou e como só ficou o terreno para pagar as dívidas trabalhistas, foi a leilão. Ninguém se interessou, por ser área de ORLA, preservada. Criou-se um regime urbanístico especial para o local, que permitia construções comerciais, não as residenciais. O esgoto doméstico é o maior poluente do Guaíba…
    Então aparece um investidor que oferece a metade da avaliação inicial do terreno (15 milhões) e arremata o terreno por 7,2 milhões de reais.
    Logo, os empregados do Estaleiro “micaram”, os 15 milhões pagariam a integralidade da dívida trabalhista.
    Depois de arrematar o terreno o empreendedor faz um projeto com TUDO o que era proibido quando comprou por preço vil o terreno. Leva o tal projeto para a Câmara e ele é aprovado, mesmo ferindo a legislação ambiental federal!!!
    Por favor…
    Sem honestidade e sem ética nenhum projeto pode ser considerado bonito!

  • Marcos  On janeiro 5, 2009 at pm:33 pm

    É um absurdo serem contra a esse projeto! O projeto irá mordenizar a orla do guaiba, que atualmente esta as moscas! E não é por culpa da iniciativa privada que esta as moscas, é por causa da pouca verba da prefeitura para questões ambientes e, sobretudo, por causa do ambandono dessa área.

    Só digo uma coisa, os que são contra são os primeiros a irem para Floripa, Rio, etc. e pacearem nos maravilhosos calçadões… imaginem o quanto não seria bom tomar um chopp as margens do guaiba? ir fazer um happy hour por lá?

    Aqueles que são contra eu lhes pergunto: Vocês desfrutam hoje dessa área do pontal estaleiro? Vocês levam lá os seus amigos/parentes de fora do estado para mostrarem a maravilhosa paisagem que há por lá? E que mal há em um empresário investir o seu dinheiro em um terreno e depois querer lucrar? (ex.: se você junta um dinheiro, compra ou constrói uma casa na praia e depois aluga para um amigo você tem lucra, não lucra? agora que mal há se o cara foi vivo: comprou um terreno que não valia nada e vai construir uma obra, de R$ 165 milhões, que vai lhe dar algum retorno em 10/15 anos, hein? que mal há? cada um faz o que quer com o seu dinheiro)

    e rafael há obra permite o acesso da população.

  • Rafael  On novembro 19, 2008 at pm:23 pm

    Sou contra, quem vai se beneficiar deste projeto é o dono do local e os ricos que lucrarão com o projeto. Deveria ser feito um projeto de revitalização dedicado a toda a cidade e disponível a todos os porto-alegrenses. Se este projeto for levado adianta, vai abrir espaço para que os unicos a disfrutarem da nossa orla do guaiba serão os ricos moradores do local.

  • Janaina  On novembro 12, 2008 at pm:37 pm

    Sou a favor. Quem conhece a área sabe que é um local degradado, o qual não combina com a orla do guaíba. As pessoas que são contra esse tipo de empreendimento geralmente são contra o crescimento e modernização da cidade. É inevitável a transformação da cidade para uma grande metrópole com tudo o que os gandes centros tem de bom e ruim. Hoje em dia é cada vez maior a preocupação dos empreendedores com impacto ambiental e revitalização de áreas abandonadas pelo poder público.

  • Thorales  On novembro 7, 2008 at am:25 am

    Sou contra.
    Além dos problemas apontados, o projeto é muito feio. É um monstrengo na beira do rio. Prefiro outro cartão postal para a cidade.

  • Enio  On outubro 29, 2008 at am:35 am

    Sou a favor, temos que mudar esta orla que hoje está abandonada , já que tem capital privado investindo na infraestrutura local , para não termos impacto ambiental, sem contar novo cartão postal que POA passa a ter.

  • Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho  On outubro 22, 2008 at pm:29 pm

    Se a área está atualmente com lixo, ratos e ruínas, cabe salientar que só deve ser por interesse do proprietário, pois assim apresenta seu projeto como a “salvação” contra o abandono da área.
    Não sejamos ingênuos.
    Entendemos isso. Acreditamos que se puderem irão colocar mais lixo lá e deixar as ruínas em ainda pior estado.
    O que não entedemos é por que o proprietário não é multado por não ter a área (particular) cercada e LIMPA. Conforme o código de posturas da cidade, qualquer terreninho nessa situação seria AUTUADO e MULTADO.
    Ou seja, a imundície no local, é o “bode na sala”…

  • Rainor  On outubro 21, 2008 at am:32 am

    O que é melhor, um residencial com prédios bonitos e área urbanizada ou ruínas que só servem de esconderijo para marginais? Sou favorável que se construa uma infra-estrutura digna na orla do Guaíba usando para isso capital privado. Atualmente a orla é apenas um aterro sanitário a céu aberto.

    E esse papo de “projeto dos ricos” é retórica de militante do século 19.

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