Crise: Câmbio anula medidas contra a alta do trigo


A desvalorização do real pode anular o efeito das medidas do governo federal para conter a alta dos derivados do trigo e, conseqüentemente, a escalada da inflação. Em meados deste ano, foram anunciadas a isenção de 10% da Tarifa Externa Comum (TEC) até agosto, para a importação de 2 milhões de toneladas de trigo fora do Mercosul, e do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) – 25% sobre a tarifa.

A intenção era conter a pressão dos preços sobre produtos como o pãozinho francês e as massas, itens que possuem forte impacto nos índices de inflação. A isenção do PIS e da Cofins (9,25%), ratificada em maio por Medida Provisória (MP) com duração até o final deste ano, completou o pacote de incentivos.

O cenário era agravado pelo impasse em torno da liberação de novas licenças para exportação da Argentina, fornecedor de mais da metade do total do trigo consumido no Brasil, que atinge cerca de 11 milhões de toneladas.

Para se beneficiar das medidas anunciadas pelo governo, moinhos tomaram crédito em dólar e agora, abastecidos com trigo, vêem os custos subirem cada vez mais com o vencimento das parcelas reajustadas.
“O segmento como um todo está apertadíssimo. Se o câmbio continuar nesse patamar (R$ 2,20), o aumento será de 25%”, prevê Lawrence Pih, presidente do Grupo Moinho Pacífico, um dos maiores do País. Ele acrescenta que existe o agravante do frete. Quando importaram, o preço estava em US$ 105 a tonelada e agora despencou para US$ 40. A tendência agora é tentar “garimpar” o trigo nacional.  “Os bancos financiam 70% da compra do trigo e as tradings 30%. O governo pensou no exportador mas não no importador”, reclama.

Cláudio Zanão, diretor-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas Alimentícias (Abima), explica que é normal os preços recuarem nesse período. Ele explica que caso ocorra um aumento nos preços da farinha, a tendência é de repasse ao consumidor. Ele diz que a farinha de trigo compõe 70% do custo de processo das massas. “Um aumento de 20% na farinha pode gerar um repasse de 15% nos produtos”, calcula.

Gazeta Mercantil

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