Crise Mundial: Agricultura pede socorro


Mesmo aqueles que estão renegociando débitos passados estão com
dificuldade de obter dinheiro novo

Às vésperas do início do plantio da safra 2008/2009 o agricultor vive um dilema. De um lado, a ampliação do prazo até 14 de novembro para os produtores renegociarem suas dívidas foi bem recebida pelo setor, porque afasta o fantasma da inadimplência. Mas a renegociação aumenta o grau de risco perante os bancos, que, em vários casos, dizem os produtores, restringem o crédito. A dívida total do setor rural é calculada em R$ 87,5 bilhões, referentes a 2,8 milhões de contratos. Só o Banco do Brasil tem 685 mil contratos que podem ser renegociados. Conforme o diretor de Agronegócios do BB, José Carlos Vaz, até 26 de setembro 205 mil foram quitados, com pagamento total da parcela de 2008, e a maior parte, 300 mil, renegociada.

Para aderir à renegociação, o produtor precisa fazer o pedido formal no banco em que fez o contrato. Se estiver em situação regular, poderá pagar 40% do valor da parcela de 2008 e renegociar o restante em parcelas com vencimento após o fim do prazo do contrato inicial.

Mesmo podendo pagar só 40%, muitos produtores que renegociaram estão com dificuldade para cumprir o acordo. “Se eu pagar os 40% não vou ter capital de giro até a colheita”, diz Roger Augusto Rodrigues, que planta 2.100 hectares de soja em Diamantino (MT).

Ele renegociou a dívida e, embora os pagamentos estejam em dia, desde 2006 ele não consegue obter novos financiamentos no BB. Para financiar o plantio este ano, Rodrigues recorreu a uma empresa privada. “Semente, adubo e defensivos estão comprados, mas não vou pagar os 40% da parcela de 2008 porque tenho de pagar despesas como diesel, funcionário e maquinário.”

Levantamento da Associação dos Produtores de Soja do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) constatou que o sojicultor deve em média R$ 2 mil por hectare. Hoje, o custo de produção da lavoura é de R$ 1.540/hectare – ou 54% a mais do que na safra passada – e o rendimento é de R$ 1.400/hectare, para uma produtividade de 50 sacas por hectare.

Segundo o  presidente da Aprosoja, Glauber Silveira, o maior problema não é a renegociação, mas a falta de recurso para o plantio. Só Mato Grosso, maior produtor de soja, precisaria este ano de R$ 8,3 bilhões para a safra 2008/2009. As tradings, as maiores credoras dos grandes produtores, reduziram a oferta de crédito nesta safra porque não estão conseguindo captar recursos no mercado externo, devido à crise norte-americana. Segundo Silveira, em 2007 as tradings emprestaram 53% do que o produtor precisava para custear a safra. “Este ano devem reduzir para 34%.”

A falta de crédito refletiu diretamente na compra dos insumos. Até agora, dos 3,3 milhões de toneladas de fertilizantes que MT precisa para cultivar a área plantada com soja, foram vendidos apenas 2,6 milhões. “Ou o produtor reduz a área ou a tecnologia. Ambas as situações comprometem a safra.”

OEstadão

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Comentários

  • jose tiago  On outubro 5, 2009 at am:55 am

    Muinto bem .

    Eu so um pequeno AGRICULTOR de ANGOLA ,tenho planos de cultivar soja

    no meu PAIS.

    Tenho um total de 100.000. hectares desponives para a produçao de soja

    Agradecia se pocivel ARANJAR UM PARCEIRO COM UMA CERTA EXPERINCIA NESTE RAMO ,PARA QUE POSSAMOS TRABALHAR JUNTOS .

    SEM MAS AQUEL ABRAÇO DE ANGOLA .

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