Interno da Febem passa em 3 faculdades


Aprovado no vestibular da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o interno T.A.C., 19, da Fundação Casa (antiga Febem) Anhangüera, em Campinas, afirma que suas matérias prediletas são geografia e matemática. Até então, nenhuma das duas tinha sido muito favorável a ele.

Nascido num bairro extremamente carente da periferia de Campinas, T. é filho de uma faxineira desempregada que criou cinco filhos sozinha.
“Vejo muito pouco meu pai, ele mora em outro bairro”, diz T.

Aos 12, ele entrou para o tráfico; aos 17, tornou-se viciado em cocaína; no ano passado, cometeu um crime. “Foi um B.O. muito pesado, a história é muito longa”, diz ele, que está na Fundação Casa desde maio de 2007.

Na última segunda-feira, o telefone tocou, era da Unesp. Comunicavam que T. havia passado em geografia, onde cada vaga foi disputada por dez candidatos. A essa altura, todos já comemoravam a aprovação de T. em outros dois cursos de uma universidade particular, a São Francisco, onde ele já tinha passado em engenharia ambiental e em química.
T. diz que sempre procurou estudar porque, ao contrário do irmão que está preso há oito anos, levou a sério quando sua mãe disse que “só assim conseguiria alguma coisa na vida”. Até o segundo ano do ensino médio ele foi bem.

“Só desanimei quando me tornei usuário de cocaína. Aí, repeti o ano por falta”, diz ele.
T. é magro, muito claro e comprido; tem 1,77m, 64 kg. O discurso é fluente, ele só ri de vez em quando e não tem seqüelas aparentes.
“O caso do T. é muito particular. Ele já era concludente do ensino médio, a gente só precisou oportunizar a faculdade para ele”, diz a assistente social Sônia Aparecida Carnio.

Para entrar na faculdade teve a ajuda veio do movimento Educafro, ou Educação e Cidadania para Afrodescendentes e Carentes, um “projeto de inclusão”. “O T. não tirou notas médias, só ótimas”, diz Edna Beato, coordenadora do movimento, que tem um convênio com a São Francisco.
Para cada um aluno com 100% de bolsa, o movimento arruma dois que paguem 50%. O vestibular é o mesmo para todos. No curso de engenharia ambiental, a São Francisco recebeu nota 5 nos três quesitos avaliados pelo MEC; no de química, dois 5 (e um 4).
T. teve de declinar do curso da Unesp, porque o campus é em Ourinhos, cidade distante 380 km de Campinas. “Não temos alojamento, apenas bolsas de auxílio a quem vem de longe e não tem onde ficar.

O curso de engenharia ambiental não reuniu alunos suficientes. “A gente já chorou muito juntos. No meio do ano é muito difícil conseguir abrir uma turma”, afirma Edna Beato. Por isso, T. perdeu o vestibular e a bolsa. Mas não as esperanças. Vai fazer química.

FSP

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Comentários

  • Diva B. Nunes  On maio 12, 2009 at pm:06 pm

    Acredito que todas nos somos responsáveis pela nossas escolhas.
    Não existe um culpado pela trajetório de nossos caminhos.
    Tudo realmente é reflexo de nossas escolhas.Antigamente diziam: Diga-mes com quem andas, que te direi quem tús és. Hoje, falamos. Diga com andas que eu vou te dizer onde voce vai parar. É com este pensamento que digo. Todos tem a oportunidade de querer mudar para melhor. A sociedade escravisa quem comete erros, e a oportunidade fica distante.Mas com muita vontade, pode sim desenvolver seus talentos.
    Este garoto tem tudo para vencer e apagar seu triste passado, ele viveu a experiência amarga, e hoje tem o direito de escolher o outro lado da vida. Estude, menino, lute e conquiste um pedaço do seu cé.
    Deus não separa o calor do sol, nem o brilho das estrelas, então corra atras dos seus sonhos.
    Desejo -lhe muito sucesso. Digo, voce fez a melhor escolha.
    Parabéns!

  • renata  On fevereiro 5, 2009 at am:59 am

    é realmente quando li o 1º comentario axei que o kara ta certo mas lendo bem o 2º vejo a ignorância de pensar daquela forma….

    \o evoluindo sempre

  • vera lucia  On dezembro 2, 2008 at pm:16 pm

    parabéns não esqueça fioque firme com senhor jesus

  • Lydia  On agosto 27, 2008 at am:02 am

    Devido a pensamentos como de pessoas como esta que escre acima é que o Brasil está cada vez mais perdido. Não se pode ser nada! Quem erra nunca pode ter a oportunidade de acerta. Por isso o adolescente infrator nunca consegue se ressocializar!!
    O mundo tá cansado de ler besteria. Pelo amor de Deus vamos evoluir não só como pessoa. Abrir a mente e ver que se ele conseguiu isso é porque ainda podemos acreditar no melhor. E outra coisa, cada um é responsável pela suas conquistas….

  • Anônimo  On agosto 24, 2008 at am:03 am

    Vai fazer química ?
    Boa..Esse é negociante de visão…!
    Pelo histórico do cara , já se tira uma idéia do que fará após se formar…
    Vai ser bioquímico de refinaria lá na favela…
    Prá esse seria bom entrar em contato com o “Seco” e pedir que fizesse , comércio exterior daí surgiria uma sociedade boa e lucrativa..
    Um refinava e o outro procura colocação prá mercadoria..!
    outros coitados que pegam só pedreira na vida , trabalhando e estudando , não conseguem alguém prá ajudar com um sanduíche , aí aparece malaco bandido e assasino , dando uma de estudioso e ainda a mídia dá linha e diz que é “projeto de Inclusão..
    Bem capaz que alguém com noção do perigo , vai contratar um cara que matou aos 18 , cheira desde os 12 e vive na FEBEM…Só o crime mesmo vai chamar o vestibulando aí !

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