
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite a venda de um repelente cuja composição contraria parecer técnico emitido pela própria agência em 11 de dezembro de 2006. A partir daquela data, a Anvisa determinou que produtos com concentração do princípio ativo Deet (N,N-dietil-metatoluamida) superior a 30% só obterão registro “desde que sejam realizados estudos de avaliação de riscos para humanos”. O repelente Exposis Gel tem 50% de Deet, não apresentou os testes e continua disponível no mercado.
A Anvisa informa que “a maior concentração admitida no Brasil é de 30% de Deet, pois este foi o limite seguro estabelecido em estudos acompanhados por toxicologistas que auxiliaram a Anvisa”.
O laboratório alega ter permissão para fabricar o Exposis com 50% de Deet até amanhã, quando expira o registro, obtido cerca de três anos e sete meses antes da emissão do parecer de novembro de 2006.
Segundo o executivo do Osler, não há mais Exposis Gel com 50% de Deet no estoque e os próximos lotes já virão com a concentração de 30%, permitida pela Anvisa sem exigência de testes em humanos.
– Vendemos repelentes com 50% de Deet na França, Alemanha e Áustria há 20 anos, baseando-nos em evidências médicas que atestam segurança e eficiência – diz Guerra.
Ele afirma que o produto com 50% de Deet, ou mesmo com 30%, é mais eficaz que os concorrentes à venda no Brasil, cujas concentrações chegam, no máximo, a 14%.
Utilizado há cerca de 50 anos, o Deet inibe as proteínas ligadoras de odor que orientam mosquitos como o Aedes aegypti, transmissor da dengue, a detectar a pele humana por suas emanações de gás carbônico e butanona. Os médicos, entretanto, se dividem sobre o potencial tóxico da substância no corpo humano.
