QUEM É o dono da controladora da maior empresa de processamento de proteína animal do mundo


Joesley Batista, empresário de 40 anos, casado com a jornalista Ticiana Villa Boas, apresentadora do Jornal da Band, principal executivo do grupo JBS (com ele, o pai José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro e mais cinco irmãos), desistiu de comprar a Delta, mas não desistiu de entrar no mercado da construção pesada. O grupo JBS (R$ 70 bilhões/ano) é o terceiro maior do Brasil, atrás da Petrobras e da Vale.

Joesley está de olho nos R$ 380 bilhões em investimentos em infra-estrutura no país estimado pelo BNDES até 2014. Quem conhece Joesley não sabe se ele finge ou se o jeito de matuto é dele mesmo: tem um caderno onde anota frases, não vê televisão, não lê revista e acumula erros de português na hora de falar.

Sentado em um sofá branco forrado de pele de boi no amplo escritório da presidência da J&F Holding, controladora da maior empresa de processamento de proteína animal do mundo, o empresário Joesley Batista, de 40 anos, deu os primeiros sinais de que sua equipe estava prestes a fazer as malas e deixar de lado a opção de compra da Construtora Delta exatamente 24 horas antes do anúncio oficial.

— O mercado está absolutamente enganado ao dar como certa a compra da Delta, enquanto eu estou aqui olhando um negócio extremamente complicado, achando tão complicado quanto ele acha — resumiu Batista, à frente do grupo empresarial pertencente à sua família, o terceiro maior do Brasil, atrás apenas da Petrobras e da Vale.

Joesley não assiste a televisão, não lê revista e, mesmo à frente do grupo que neste ano deve ultrapassar R$ 70 bilhões de faturamento, passou despercebido pelos jornais até o dia em que decidiu que tentaria comprar a empresa envolvida no maior escândalo político do ano. De olho nos R$ 380 bilhões em investimentos em infraestrutura no país estimados pelo BNDES até 2014, sonhava juntar ao seu grupo essa empresa de 30 mil funcionários, milhares de máquinas, atestados técnicos em dia (pré-requisito para participar de qualquer licitação), finanças superavitárias, poucas dívidas e modelo de crescimento inovador (“contrato era como se fosse uma empresinha, com centro de custos e gestão independente”).

Desde cedo Joesley acelera nos negócios seguindo o rumo de seu instinto, mas garante tomar os cuidados de quem precisa se proteger, sem diminuir a velocidade. Foi assim desde o dia em que o pai, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, que começou a vida com um abatedouro de 60 cabeças de boi em Anápolis, no interior de Goiás, convidou o filho para tocar o escritório da segunda empresa da família.

Joesley era o menino que aos sete anos cavava o chão procurando petróleo para “enricar”, como gosta de falar, e que aos 15 anos já tinha montado um escola de computação com amigos, trabalhado em hotel, loja de auto-peças e de sapatos. Aos 16, tinha decidido namorar e a mãe, preocupada, convenceu o pai a trazer o filho para os negócios da família.

— Quanto mais veloz você corre, mais cuidadoso você fica. A arte não está em acelerar, mas frear ali, na hora certa — disse ele algumas vezes ao GLOBO na última quinta-feira, um dia antes da decisão de deixar o namoro com a Delta.

O mercado nunca soube dizer se a Delta conseguiria dar a volta por cima, apesar do talento da família para os negócios e, em especial, o de Joesley, considerado o estrategista entre os seis irmãos. Com base em uma sucessão de compras de empresas em situação difícil e volumosos aportes do BNDES, a JBS, empresa frigorífica que leva as inicias do pai no nome, passou em menos de uma década de maior empresa de proteína animal de Goiás a maior do mundo, gere atualmente 50 marcas e 140 mil funcionários.

À primeira vista, ninguém entende como Joesley comanda um conglomerado repetindo aos montes os erros de português na hora de falar e mantendo o jeito de matuto. Seria apenas uma estratégia de negócio? Ele se faz de bobo para no fim sair ganhando? Quando se lança o olhar para seu império, tudo parece um teatro conveniente. Mas, de perto, se vê que a simplicidade não é forjada, está nos hábitos e nos gestos mais cotidianos.

OGLOBO

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