Gol: Vôos mais lentos para poupar combustível

By Nilnews

Quando o barril de petróleo custava US$ 73, um ano atrás, medidas secundárias de redução do uso de combustível nas companhias aéreas não faziam sentido. O custo de colocá-las em prática superava as economias obtidas. Agora, com o petróleo custando o dobro, pequenas ações ganharam importância. Entre reduzir a velocidade de vôo e abastecer os aviões onde o combustível é mais barato, vale tudo para não perder dinheiro à toa.

No caso da Gol Linhas Aéreas, que reúne a Gol e a Varig, a medida de maior impacto na economia de combustível foi tomada: ter uma frota jovem e econômica. Até o fim deste ano, a companhia vai substituir todos os seus Boeings 737-300 e 767-300 por aviões de “nova geração”, mais eficientes. Outras ações incluem corte de vôos deficitários – a Varig eliminou rotas internacionais de longa distância e a Gol reduziu operações no interior de São Paulo – e a elevação de tarifas.

A Gol, entretanto, reconhecida por uma política rígida de baixos custos, também refinou uma série de detalhes em suas operações desde que a escalada do petróleo teve início, há cerca de nove meses,  diz o comandante Fernando Rockert de Magalhães, vice-presidente técnico da companhia. No mundo, o querosene de aviação (QAV), subiu nos mesmos níveis do petróleo. No Brasil, ele subiu menos mas  acumula alta de 35,3% entre janeiro e julho deste ano.

Entre as medidas secundárias adotadas pela Gol, uma das mais importantes é a redução da velocidade dos vôos, cerca de cinco ou seis quilômetros por hora a menos na velocidade de cruzeiro – parâmetro de quando o motor tem o melhor desempenho. A diminuição faz com que, num vôo entre Rio e São Paulo, que em geral dura 40 minutos, a viagem aumente dois minutos e o consumo de combustível caia cerca de 0,5%.

Outras duas medidas de economia se concentram nas asas das aeronaves. A Gol acelerou a instalação dos chamados “winglets” na sua frota. As peças reduzem o consumo de combustível em até 3%.

Limpar a fuselagem das aeronaves mais vezes, num processo de lavagem a seco, também ajuda na redução do uso de combustível mesmo que a resultante disso seja mínima. “Mas em 110 aviões que voam 350 mil horas por ano, obtém economia”.

Por fim, a Gol reviu nos últimos meses a sua estratégia de abastecimento para aproveitar melhor a diferença do ICMS cobrado sobre o QAV em diferentes estados. Minas Gerais e Rio de Janeiro são os Estados mais econômicos e onde a empresa busca abastecer mais vezes – nessas praças, o combustível fica 23% e 26% mais barato em relação a São Paulo.

Com base nos números do primeiro trimestre deste ano, a economia da Gol seria de R$ 2,65 milhões, sobre gastos de combustível de R$ 664,1 milhões. Os dois valores são 84% maiores do que os registrados no mesmo período de 2007. No ano passado todo, a Gol teria economizado perto de R$ 8 milhões.

(Valor Econômico)

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