
No fim do ano passado, a Promotoria de Nova York pediu a prisão do deputado Paulo Maluf (PP-SP), por lavagem de dinheiro no exterior. Agora, a comarca está prestes a expedir (ou já teria emitido) uma ordem de prisão para a Justiça brasileira. Juridicamente, Maluf está blindado no Brasil. Não há brecha ou vírgula na Constituição que permita a sua detenção aqui e extradição para os EUA. Mas nada impede que a Interpol o intercepte em qualquer país que tenha o tratado de extradição e o leve para NY. Seria caso semelhante ao do banqueiro Salvatore Cacciola – a Interpol recebe o alerta vermelho em vários países. Entende-se, agora, por que Maluf não passa do eixo São Paulo–Brasília.
Pois bem, ciente desse iminente perigo, o parlamentar acercou-se bem da situação junto ao secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. Ouviu dele e dos advogados que o perigo de algemas aqui está afastado, salvo a situação supracitada.
Em comum acordo, o PT do primeiro escalão em Brasília mantém Maluf informado de qualquer movimentação jurídica que o cerque, e o blinda na Justiça. Em contrapartida, Maluf lança a sua candidatura à prefeitura de São Paulo pelo PP.
Na equação política, isso significa que, com o recall eleitoral que tem, bem ou mal, o deputado tira, por baixo, 1 milhão de votos dos candidatos Gilberto Kassab (DEM) e Geraldo Alckmin (PSDB), aliviando o caminho da candidata Marta Suplicy (PT).
Nos cálculos palacianos, o petismo tem a seguinte conta: se Marta passar para um eventual segundo turno, Maluf será aliado natural. É o resultado político-judicial da verticalização de uma coalizão.
Por isso, bem tranqüilo, Maluf não pretende sair da rota. Fica em São Paulo – onde degusta, em sua casa, com amigos da melhor adega brasileira – e em Brasília, onde faz feijoadas animadas para aliados.
FSP
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