
O presidente Lula decidiu adiar de 7 a 10 dias o anúncio do aumento dos soldos militares, previsto para ontem, Dia do Exército, por causa do clima de mal-estar no Planalto com as críticas do comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, à política indigenista e à homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol (RR).
O projeto de aumento já está praticamente fechado, mas o presidente considerou que não seria conveniente anunciá-lo num momento em que um oficial de alta patente confronta publicamente o governo. Oficialmente, a versão é a de que os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e do Planejamento, Paulo Bernardo, não tinham chegado a um consenso da proposta, que prevê um reajuste em três etapas, a primeira delas de 8%.
Nos bastidores, o motivo real foi a avaliação de que dar o aumento ontem daria a impressão de que o governo tinha cedido às pressões militares.
Heleno, que chamou a política indigenista de “lamentável e caótica”, foi convocado a Brasília para conversar, por determinação de Lula, com Jobim e com o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. O objetivo era pedir explicações e proibir que continuasse falando publicamente.
No Planalto, houve duas tendências. Uma defendia algum tipo de punição para Heleno. Outra pregou um meio-termo: a convocação a Brasília, com pedido de explicações e a ordem para que se calasse. O general chegou a Brasília disposto a aceitar ficar calado, mas não a mudar de opinião.
FSP
Tags: aumento miliutares, Exército, militares